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Correio dos Vinhos e Petiscos
Número quatro • mensário newsletter • Director: Álvaro Vale
Nesta edição   Em destaque
-Primeira página

-O vinho biológico de
Chris e Helga

-Bicentenário de
D. Antónia Ferreirinha

-Centenários

-Os tintos da Quinta do Pôpa

-Em Alenquer: Vitis Route entre o Vinho e a História

-Vindimas 2011:
menos 22% face a 2010

-Vinhos portugueses:
um sector campeão que pode ultrapassar crise macroeconómica

-Portugal: a mística do azeite em 4 regiões olivícolas…e muitos microclimas

-Uma boa colheita no hemisfério Norte (França, Portugal, Espanha)… ... não signifi ca o mesmo no hemisfério Sul (África do Sul, Austrália, Chile) !!!

-Angola futuro produtor de azeite

-Aviação comercial

- Museu do Fado, em Alfama, celebrou homenagem a Amália

-Poetas do Facebook “entrevistaram” Fernando Pessoa

-Wine Spectator: Quinta do Vallado (7º), Cabriz Dão (42º)

-6º Festival Internacional Gourmet do Algarve, em Vila Joya

-Penúltimas

-Últimas



Chile precisa de mais 25mil hectares
O Chile precisa de plantar mais 25.000 hectares de vinha para cumprir os altos níveis de exportação, até para compensar a subida dos preços, devido à procura. Segundo os dados da Wines of Cjile, as exportações para o Reino Unido (o maior mercado mundial de vinho engarrafado) duplicaram entre 2003 e 2011. O Chile é considerado o grande paraíso, possuindo os melhores terroirs do mundo para produção vitivinícola devido à excelência do seu clima e ao facto d ser indemne às pragas que desde o século XIX têm afectado a vinha em todos os continentes. Chile (e Argentina) é uma excepção, devido à sua geografi a de excelência, na orla costeira do Pacífi co, confi nando a leste com a cordilheira dos Andes, o que lhe permite ter ainda como reserva um manancial de águas.
 
 
  O vinho biológico de Chris e Helga
Na aldeia de Cortém, um antigo “casal saloio” em pleno coração da Estremadura, a 14 kms do mar (Foz do Arelho) e a 8 kms das Caldas da Rainha, foi adquirido e recuperado por um inglês e uma alemã, Chris e Helga, que agora produzem vinho biológico já premiado com medalhas de prata e bronze em Londres.
     


Festival Gourmet em Albufeira sob clima hollywoodesco


Fado & Poesia
Fado & Poesia estiveram em foco no final do ano, com o reconhecimento pela Unesco de património mundial da Humanidade, na esteira do Tango, essa dança tão suigeneris das cidades portuárias de la Plata - Buenos Aires e Montevideo. Fado e poesia são indissociáveis de uma certa boémia e intelectualidade lisboeta - desde os anos 20 e 30 do século XX, quando o poeta Fernando Pessoa deambulava entre o Café Martinho da Arcada, ao Terreiro do Paço, e o Café A Brasileira, no Chiado, um itinerário que o poeta fazia quase diariamente antes de seguir de eléctrico para a sua casa, na Rua Coelho da Rocha, a Campo de Ourique. Mas ao Fado também se pode ligar um terceiro elemento -- a gastronomia, que os bons pratos e petiscos acompanhados de bons vinhos são o sal e o toque para uma boa tertúlia. Para compor mais esta parelha da boémia lisboeta, poder-se-ia falar de toiros, mas antes, do Prémio Pessoa atribuído ao ensaísta, pensador e académico Eduardo Lourenço, aos 88 anos. Um mês antes, o insigne intelectual esteve no Museu do Fado na apresentação do livro “Amália -Confidências em Noite de Primavera”, alusivo à última entrevista dada pela grande diva no Martinho da Arcada, um inédito recolhido por Luís Machado em 1992 num das suas habituais tertúlias. Para a grande diva Amália Rodrigues, as pessoas que melhor defi niram o conceito de saudade foram Fernando Pessoa e Eduardo Lourenço. Mas tal palavra passou a ser também extensiva ao espaço lusófono, particularmente em Cabo Verde, onde faleceu Cesária Évora, a intérprete magistral da canção Saudade, numa morna muito parecida ao fado…Aqui fica também a homenagem de Correio dos Vinhos.


Correio dos Vinhos e Petiscos
Portugal: a mística do azeite em 4 regiões
Cientistas portugueses fazem em Elvas o apuramento da oliveira galega, cruzando genes com outras variedades, mediante a chamada tecnologia do crescimento rápido de 24 horas, no Instituto Nacional de Investigação Agrária (INIA), cujas funções incluem informações e conselhos preventivos a agricultores e viveiristas, e tentar obter novas variedades de oliveiras, a partir das existentes.



Centenários: El-rei D. Dinis, Orlando Ribeiro e Alves Redol juntam-se a D. Antónia Ferreirinha
Quatro centenários de luxo, de quatro notáveis portugueses mais ligados entre si do que muitos pensam. Em 2011 passaram 750 anos do nascimento de D. Dinis, o rei “Lavrador” e “Trovador”, que chegou inclusive a compor poemas e música trovadoresca: E passou também o centenário do nascimento do professor Orlando Ribeiro, grande académico da Geografi a Humana, defensor de uma certa matriz cultural mediterrânica, intimamente ligada à vinha, à oliveira e a toda uma alimentação tão conotada com a dieta mediterrânica, um exemplo para o qual, o mundo anglo-saxónico passou a dar mais atenção nos últimos 20 anos, procurando seguir. Não é só caso dos EUA, onde as classes sociais mais sofi sticadas e mais esclarecidas passaram a tomar um bom vinho à refeição, legumes e saladas; como também em Inglaterra, onde nas escolas é diariamente distribuída a meio da manhã aos alunos uma pêra-rocha! E como se não bastasse, surgiu um outro centenário de última hora, efeméride gravemente despercebida pela essência social do escritor neo-realista Alves Redol, que retratou magistralmente as comunidades de pescadores de Vila Franca de Xira, onde inclusive estudou a sua etnografi a. Estas três fi guras juntam-se assim a D. Antónia Adelaide Ferreira, a Ferreirinha, a empresária dos vinhos do Porto e do Douro, que fi cou ligada a uma obra social, nomeadamente a fundação de três hospitais a expensas próprias
       


Azeite em Angola num futuro
Veja a relação entre as oliveiras da província do Namibe e a corrente fria de Benguela, e como os agrónomos portugueses plantaram 500 hectares de oliveiras nos Anos 60 do século XX.


Quatro tintos portugueses no ranking da Wine Spectator


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-Edição nº 3



Correio dos Vinhos & Petiscos
1. Correio dos Vinhos &.....é uma publicação nacional bilingue com carácter global e internacional, que implicitamente trata de vinhos e produtos certificados, sem perder evidentemente o seu leit-motiv, o vinho, essa bebida nobre que já se fazia na Pérsia há 6 mil anos, de onde veio exactamente o tipo Syrah.
2. Correio dos Vinhos &… pretende ser um espaço de reflexão e debate dos produtores portugueses em geral, especialmente aqueles ligados às empresas de menor escala, de carácter familiar, que de algum modo lograram implantar-se no circuito comercial português; e se preparam agora para os mercados externos, ou seja a exportação -- China, Índia, Brasil, Rússia e Angola estão aí receptivos aos bons vinhos portugueses; tudo depende de factores qualidade e preço e, naturalmente da promoção e marketing das entidades e das diligências que vitivinicultores desenvolvam.
Dado o contexto global em que se integra o sector - é normal ver um bom vinho chileno na prateleira de hipermercados a menos de 2 euros a garrafa -- refira-se que a qualidade e preço (mesmo sem a quantidade) são a pedra de toque nas exportações portuguesas, aliadas a um terceiro factor... honestidade! Por outro lado, os vinhos ganham qualidade com a viagem de navio até África (Cabo Verde, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique), Brasil, China ou Índia… semanas de mar melhoram muito os vinhos…passe o folclore literário!
3. A publicação pressupõe uma periodicidade mensal em formato digital, que a médio prazo será complementada com newsletters impressas oportunamente, visando outros produtos certificados, tais como azeite, queijos, frutas, carnes, entroncando-se na perspectiva da geografia corográfica tradicional, ou seja, naquilo que as regiões podem oferecer a todos os níveis, incluindo a gastronomia e os circuitos turísticos.
4. Ser objectivamente um forum de debate sério e lúdico sobre a reabilitação de quintas e patrimónios abandonados e estimular a organização do território de forma equilibrada e racional, gerindo-se pelo rigor e pela diversidade de opinião e os elementares princípios de um Estado de Direito.