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Correio dos Vinhos e Petiscos
Número doze • trimensário newsletter • Director: Álvaro Vale
Nesta edição       Edição 12 - Versão impressa
- Primeira página

- Corticeira Amorim resolve problema do TCA nas rolhas

- Bacalhau Lisboa, novo restaurante no Chiado

- Ervideira submergiu mais 20 mil garrafas no Alqueva

- Concurso Melhor Restaurante Mediterrânico 2016


- Monte da Ravasqueira lança espumante casta Alfrocheiro e novo tinto Touriga Nacional

- CVRA recebe Prémio Especial “10 Anos da Revista Paixão Pelo Vinho”

- Vinhos do Alentejo: 55 milhões de litros de vinho no 1º semestre de 2016

- Monte da Ravasqueira lança Alvarinho 2015

- Mercearia Fidelidade convertida em antiquário

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Entre o Chiado e o Parlamento...
Memórias do Tempo Mercearia Fidelidade convertida em antiquário

Fomos encontrar mais uma mercearia dos velhos tempos do início do século XX, esta quando da implantação da República -- Mercearia Fidelidade, situada ao cimo da Calçada do Combro, para quem vem da Assembleia da República em São Bento e sobe em direcção ao Chiado, chegando às imediações de Santa Catarina, já próximo do elevador da Bica, outro dos vetustos bairros típicos de Lisboa.

Ana Ribeiro, 55 anos é a proprietária do antiquário e alfarrabista Memórias do Tempo, e há 20 anos mais o marido António Rebelo Pinto, decidiram ir viver para a zona de Santa Catarina, paredes-meias com o Bairro Alto e o Chiado. Quando chegaram, passaram a ser fregueses da Mercearia Fidelidade, e ela logo disse para o marido, que “era aqui que gostaria de ter um dia uma loja de antiguidades”.
Educadora de infância, Ana é natural de Lamego, zona de boas cepas, junto ao Douro, e de onde todos os anos por altura das vindimas seguem carradas de uvas para as caves das grandes companhias vinícolas em Gaia. Estamos na sala principal da loja, e nas traseiras existem duas outras salas contíguas designadas por Armazém de víveres, chás e cafés, ainda com alguns traços da Belle Epoque, aliás como todas as vitrines de grandes portinholas.
Ana conta-nos um pouco da sua estória pessoal. Viera estudar para a célebre Escola João de Deus, conhece então o marido, designer industrial e aficcionado pelas antiguidades, que lhe incute o gosto pelo coleccionismo e pela memória histórica dos objectos e das coisas.
“O local agradou-me imenso e percebemos que a Merceria estava em fase decadente .... metemos conversa com o dono , o Sr. José da Silva”, que era o segundo ou terceiro dono, porque comprara ao Sr. António Albuquerque, que aqui esteve 60 anos... que viera de Fornos de Algodres aos 12 anos, para se iniciar no trabalho como marçano numa outra mercearia na Avenida Duque d’Ávila. Mais tarde, vai para a zona do Chiado trabalhar na Mercearia Fidelidade do Sr. Alcobia Depois tomaria a casa, e ficaria a residir no prédio mesmo em frente, onde ainda moram a mulher já com 95 anos e a filha. “Uma dia perguntámos ao Sr. José sobre a loja, e ele mostrou-se interessado em passar o estabelecimento, até porque estava em litígio com a senhoria.... porque o contrato de arrendamento dava só para actividade de mercearia. Fomos falar com a senhoria, iniciámos negociações, e ela gostou da ideia da loja de antiguidades, de manter a memória histórica e a traça antiga da mercearia... e avançámos com pequenas obras de restauro. Das nossas colecções, abrimos mão de algumas peças e fomos comprando outras, até hoje. E mesmo quando gostamos de uma peça ficamos com ela”, sublinha. No interior chama-nos logo atenção um belíssimo candelabro novecentista de uma ninfa empunhando um abat-jour... e nas vitrines, variadíssimas louças antigas de fábricas portuguesas e estrangeiras, inclusive de companhias de navegação que faziam a ligação Europa África- América do Sul na transição do século XIX para o século XX, onde se pode admirar espólio da Colonial ou da Nacional de Navegação, da Insulana ou até da Deutsche Ost Afrika-Linie, etc.
Um placard em triângulo da Lumière Foto mostra a diversidade de gostos para um público diverso, mas sobretudo “muitos coleccionadores”, especifica Ana Ribeiro.
No interior, algumas pinturas e molduras com litografias, onde se destacam os modelos de fatos e chapéus para o Outono /Inverno de 1932, que António Rebelo Pinto adquiriu há uns anos numa antiga alfaiataria de Alcântara, quando o dono se aposentou... esta a memória do tempo! Ana e António foram também em tempos organizadores de feiras de antiguidades, tanto no Centro Cultural de Belém, como na Estufa Fria ou no Hotel Altis, que depois deixaram.
Em relação à Calçada do Combro “uma boa zona turística e o tempo não chega para se dedicarem” à organização de certames! Pedimos para indicar duas ou três peças marcantes da loja a saber : “ tivémos uma botica de farmácia”, espécie de arca de medicamentos do século XIX, e que pertenceu à Casa Bragança e que terá viajado na visita do Príncipe Real D. Luís Filipe a São Tomé e Príncipe, Angola, Rodésia, África do Sul, Moçambique e Cabo Verde entre 1 de Julho e 27 de Setembro de 1907.
A peça foi comprada pelo Museu da Farmácia, nas proximidades da loja, e com o objectivo ser exposta na Fragata D. Fernando e Glória, aquando da Expo’98.


 
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