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Correio dos Vinhos e Petiscos
Número treze • trimensário newsletter • Director: Álvaro Vale
Nesta edição       Edição 13 - Versão impressa
- Primeira página

- A Pias o que é de Pias

- O vinho branco invisível da Ervideira feito com uvas pretas

- Teor alcoólico dos vinhos aumentou 2,3 graus

- Vini Portugal


- Projecto vínico Discórdia entre Mértola e o Pomarão

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- Últimas

- No fecho da Edição















 

O Vinho Invisível
Branco... a partir de uvas pretas

...Ou uma ideia trazida da Alemanha, Suíça e Luxemburgo com grande sucesso.... feita da casta Aragonez, do sumo de lágrima dessas uvas. Mas tudo começa por uma vindima feita à noite para evitar a fermentação prematura. O segredo está nas técnicas de frio. Após a colheita, o mosto é levado em camião frigorífico para a adega, onde a fermentação também se verifica a baixas temperaturas.

A História do Vinho Invísivel pode ser contada de duas formas: das suas origens e inspirações, resultantes de viagens realizadas em 2007 à Alemanha Suíça e Luxembugo, onde Duarte Leal da Costa, directorexecutivo da Ervideira se inspirou no modelo de uvas pretas, isto é, blanc de noir; em que são retiradas a película e a casca. Andaram dois anos a estudar aforma d efazer este vinho Invisível.....e como “temos uvas tintas que chegam e sobram e continuamos a vender vinho a granel”, explica o vitivinicultor, sobre a disponibilidade de meios e matériaprima para estas experiências que originaram um vinho de grande classe.
Ou, em segundo lugar, através das provas feitas ao longo de duas horas, do meio-dia às duas da tarde, por jornalistas provadores, servidos pelos responsáveis da Ervideira, Duarte Leal e o enólogo Nuno Rolo, os dois grandes mentores de um naipe de vinhos que fica na História vitivinícola portuguesa. Nestes, recordamos ao leitor, outra grande inovação da herdade alentejana, que é o Vinho da Água, resultante do estágio de vinho engarrafado - tinto, branco e espumante durante oito meses no Lago do Alqueva, com águas à temperatura constante de 18 graus e profundidades entre os 22 e os 30 metros.
O programa começou com uma inédita prova vertical, onde se apreciaram as colheitas desde 2009. Seguiu-se um almoço sempre acompanhado pela mesma colheita, de 2016, embora com diferentes pratos e diferentes temperaturas, de forma a perceber a elevada capacidade de pairing deste vinho: a entrada, uma variedade de Sushi e Sashimi, com o Invisível servido a 4-6º; seguiram-se umas excelentes vieiras, com o vinho a 8-10º A terminar, um Magret de Pato, com o mesmo vinho, agora a 16-18º.

Local das provas: a vetusta Associação Naval Portuguesa fundada em 1856 por D.Pedro V, sob designação de Real Associação Naval , e com vista para o Padrão das Descobertas em Belém, um local que ainda regista reminiscências da Exposição do Mundo Português em 1940.
Começamos pela colheita 2009, a 13 graus, prosseguindo com registos diferentes. À medida que avançamos nas datas, os vinhos perdem a tonalidade dourada e tornam-se cada vez mais brancos até parecerem transparentes e invisíveis... ou quase. Somos servidos pelos dois criativos, juntamente com Mariana, sobrinha. Os dois vão tecendo os mais diversos comentários, esclarecendo dúvidas e questões colocadas... uma conferência de imprensa very special, diríamos!. Ou seja, a forma mais didáctica de se entender como se faz um vinho notável... branco.
Provámos nove colheitas deste vinho Branco Aragonez, de uvas pretas, bem entendido, num processo semelhante ao das uvas brancas, registando-se 6 gramas de açúcar por litro. Esta, a 1º prova do dia, num vinho bem gostoso e dourado...os restantes vão-se tornando, mais ou menos ácidos, ou menos doces, com aromas variados. Uma curiosidade, referente à colheita de 2009, o mosto estava translúcido, depois turvou, e passada uma semana o vinho começou a ficar rosado ...alguém deitou um pouco de vinho tinto, e ao fermentar ganhou um toque rosado, depois passou, “pois não quisemos m vinho inerte, mas sim com intensidade aromática”.
Já a 2ª prova, deu um vinho mais ácido, a 12,5 graus, que inclui a Touriga Nacional c um bom resultado. Haviam também experimentado as castas Cabernet Sauvignon, Trincadeira e Moreto com alguns resultados parecidos ao Aragonez. Na 3ª prova, 2011, a 13,5 graus.
Na 4ª prova, colheita 2012, a 13,5 graus, e fizeram-se 30 mil garrafas, num ano considerado difícil. Reparamos que o vinho está cada vez mais claro; 5ª prova, 2013, um ano muito quente, com 13,5 graus e c/ ph correcto e frescura na 1º quinzena; 6º vinho em prova, de 2014, a 14,4 graus, mineralidade, acidez e seco são as características.
Os comentários prosseguem e, o enólogo Nelson Rolo, confessa-se “deslumbrado” pela casta Alvarinho (do Minho, norte de Portugal, que faz o vinho verde, para os leitores não portugueses) agora cultivada no Alentejo... “não podemos estar de mãos atadas e quem não sonha, não tem lugar na Ervideira, diz por seu turno, Duarte Leal da Costa.
Depois explica um pouco sobre a contabilidade e sustentabilidade: O ideal seria o vinho de 2014 ser agora consumido ou comercializado (volvidos três anos), mas isso implicaria um risco financeiro, daí lançarmos os vinhos relativamente cedo!
Nelson Rolo: o desafio é lançar um vinho bebível e com potencial de envelhecimento --são estes dois aspectos o grande desafio.
Passamos à 7ª prova, 2015....perdemos a graduação concreta... mas é uma produção de 45 mil garrafas, e quem o toma, ninguém diria estar a falar de um vinho branco a partir de castas de uvas tintas, comenta Nelson., aludindo às perdas de 20 a 25 % no volume de cada campanha, isto no caso específico da lágrima Aragonez. Nelson Rolo desde 2007 à frente do pelouro da Enologia da Ervideira, foi aluno do Professor Paulo Laureano, agrónomo e enólogo, docente na Universidade de Évora.
Terminamos com a 8ª prova, 2016, a 13 graus de teor alcoólico, vinho muito leve, num ano muito quente, com muita concentração de açúcar nas uvas, tendo-se feito 60 mil garrafas .Passámos ao almoço, na bela sala alusiva à Vela e à Marinha da Associação Naval Portuguesa, com menu , a cargo do Chefe Jacinto Alves, a saber: Sushi; Vieiras à Provençal, com spaguetti colorido c/ tinta de choco e Magré de Pato c/ Ratatouille, pratos a condizer com as exigências dos vinhos em prova.

Na 1º colheita 13 mil garrafas, hoje 60 mil !!
Na primeira colheita deste Invisível, em 2009, a marca alentejana produziu 10 mil litros para 13 mil garrafas... um risco económico, segundo o responsávell... Mas era preciso chegar ao mercado, e hoje temos 60 mil garrafas na úlitma colheita, num vinho que é sempre lançado no dia 1 de Abril, data da prova efectuada em Belém, Dia das Mentiras, num vinho que parece mentira, mas que na verdade, tudo é real, ao ponto de parecer transparente e invisível! A estratégia é fornecer os distribuidores 15 dias antes, para que o fornecedor o ponha no restaurante. Á data da prova, a Ervideira já tinha 16.000 garrafas vendidas ( em quize dias) e facturado 90 mil euros. Em Julho, data desta edição o stock estará esgotado....são 10 anos de trabalho e oito colheitas”, sublinha Duarte Leal. Segundo o mesmo, “a oitava edição deste vinho exigia que fizéssemos algo diferente. Uma prova vertical, que permitisse perceber a sua evolução ao longo destes anos. Trata-se de um vinho inovador no sector, que tem tido uma adesão fantástica ao longo das várias edições e no mercado, tanto nacional como internacional.
Este vinho já está presente em mercados como Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Alemanha, Suíça, Brasil e China sendo seu objetivo continuar a ser visível noutros mais, nomeadamente Japão, pela facto de este vinho ser indicado para acompanhar sushi e sashimi.
Registe-se que 50 por cento da facturação da quinta alentejana, é da marca Conde D’Ervideira, toda a gama, incluindo o Invisível. Já o Enoturismo representa 18% do volume de negócios, que em 2016 registou 80 mil visitas e provas. Para Outubro, está prevista a abertura de garrafas com mais de 100 anos, tinto e branco, do bisavô da família Leal da Costa, descendente directa do Conde de Ervideira, empresário agrícola, político e filantropo.


 
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