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Correio dos Vinhos e Petiscos
Número treze • trimensário newsletter • Director: Álvaro Vale
Nesta edição       Edição 13 - Versão impressa
- Primeira página

- A Pias o que é de Pias

- O vinho branco invisível da Ervideira feito com uvas pretas

- Teor alcoólico dos vinhos aumentou 2,3 graus

- Vini Portugal


- Projecto vínico Discórdia entre Mértola e o Pomarão

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- No fecho da Edição















 

Nos últimos 30 anos, em todo o mundo, derivado ao clima
Teor alcoólico dos vinhos aumentou 2,3 graus

Devido às alterações climáticas do planeta, o teor médio alcoólico dos vinhos aumentou 2,3 graus. E num futuro, cultura da vinha poderá deslocar-se para latitudes mais elevadas, seja no hemisfério norte ou no hemisfério sul, revela um artigo de Paulo Cameira Santos, investigador do Instituto de Investigação Agrária e Veterinária (IIAV) publicado na revista Enologia referente a Março de 2107.

Desde há 30 anos para cá, que investigadores na área da Vitivinicultura e na Enologia verificam que o teor alcoólico médio dos vinhos tem sofrido um aumento apreciável. Segundo aquele investigador português, entre 1971 e 2011, os vinhos da Califórnia (Estados Unidos) registram um aumento no seu teor alcoólico de 12,5 graus para 14,8 graus em todas as castas de uvas....
Na Austrália, entre 1984 e 2008, passou de 12,4 para 14,7 graus no caso dos vinhos tintos; enquanto nos vinhos brancos foi de 12,4 para 13,2 graus de teor alcoólico.
Já na França , nas províncias de Languedoc- Rossilhão, a subida média foi um pouco menos, porventura devido à geografia, já fora do clima mediterrânico, e para além dos Pirinéus (a inferência é nossa), com 11,2 graus em 1984 e 12,9 graus em 2006.
Segundo Paulo Cameira Santos, embora não hajam estatísticas para todos os países (veja-se o comentário dos engenheiros Leonardo Maia e João Torres na reportagem sobre Pias), as razões do fenómeno são de natureza estrutural e vieram para ficar. E, cientistas de áreas afins - agrónomos, meteorologistas, enólogos e biólogos têm estudado o assunto, sobretudo os efeitos climáticos na fisiologia da videira, na medida em que as alterações climatéricas influenciam fortemente o metabolismo das plantas. Tal, pode inclusivamente obrigar abandonar certas regiões vinícolas e deslocar a cultura da vinha para latitudes mais elevadas, tanto no Hemisfério Norte, como no Hemisfério Sul. Ou seja, Verões mais quentes provocam maturação mais intensa das uvas e maior acumulação de açúcar nos bagos. Logo, os bagos das uvas tornam-se mais doces emesno ácidos , originando maior teor alcoólico no vinho.
Outro problema é o stress térmico, que aparece acima dos 35 graus, podendo provocar a paragem da fotosíntese para a maturação e aumentar o teor alcoólico (por perda de água e concentração de açúcar nos bagos das uvas). Os investigadores dizem que o teor alcoólico não deixará de aumentar face às alterações climáticas no planeta.
A medida contra a situação é a antecipação das vindimas, especialmente nas regiões mais quentes. Por isso, no Alentejo já se generalizou passar a vindimar-se na penúltima ou na última semana de Agosto, onde há vinte anos, a vindima nunca se fazia antes de 1 de Setembro.
De forma geral, adianta Cameira Santos, os investigadores da vinha, descobriram que a videira, perante a ausência de stress hídrico (falta de água), dá-se uma acumulação acelerada de açúcar nos bagos e suspende os principais mecanismos Assim se compreende que muitos dos melhores vinhos portugueses e de todo o mundo tenham a sua origem em solos pobres, regiões de montanha e declives elevados. Por outro lado, a rega da vinha também está sujeita a regras muito rigorosas, porque a excessiva água no solo suspende na planta certas vias metabólicas fundamentais, porque são essas mesmas vias que levam à acumulação de moléculas aromáticas nos bagos de uvas. Por conseguinte, o excesso de água no solo pode também ter inconvenientes para a produção do vinho.
Mas não são apenas as alterações climáticas que fizeram aumentar o teor alcoólico, dando simultaneamente vinhos interessantes. Também o uso de boas práticas agronómicas, com base na investigação, tem contribuído para boas produções de vinho, a que alguns experts chamaram já uma arte alquimista. Ou seja, o aumento da graduação alcoólica não impediu de se produzirem bons vinhos, com novas nuances, que mostram a adapção do enólogo às novas condições climatéricas, aproveitando novas técnicas e fazendo vindimas durante a noite, para manter intactas a qualidade das uvas, até chegarem à respectiva adega.


 
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