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Correio dos Vinhos e Petiscos
Número treze • trimensário newsletter • Director: Álvaro Vale
Nesta edição       Edição 13 - Versão impressa
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- A Pias o que é de Pias

- O vinho branco invisível da Ervideira feito com uvas pretas

- Teor alcoólico dos vinhos aumentou 2,3 graus

- Vini Portugal


- Projecto vínico Discórdia entre Mértola e o Pomarão

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Projecto vínico
Discórdia entre Mértola e o Pomarão

A iniciativa é da Herdade Vale de Évora, situada a poucos quilómetros de Mértola, no Baixo Alentejo, cujo proprietário arrancou em 2009 ao plantar 10 hectares de vinha. A Herdade tem 550 hectares e, foi adquirida em 2007 por Paulo Alho, empresário de Sesimbra.


O projecto, impossibilitado de usar a palavra Évora, após longos e animados debates, passou a designarse Discórdia, com vinhos tinto da casta Touriga Franca, Touriga Nacional, Alicante Bouchet e Syrah, e vinho branco das castas Arinto, Verdelho e Antão Vaz.

No final de 2016, juntou-se ao projeto, como sócio, Vítor Pereira, amigo da família e também engenheiro civil ligado igualmente ao setor da construção civil. A gestão é assegurada por Miguel e Paulo Teodoro, filhos de Paulo Alho. Desde tempos longínquos que a região do Guadiana foi terra de vinhos. Numa prospeção recente ao longo do rio Guadiana, entre Mértola e o Pomarão, o professor Antero Martins e um grupo de inestigadores encontraram abundantes videiras velhas, desgarradas, a comum vitis vinifera.
O especialista na área da genética de plantas e presidente da Associação Portuguesa para a Diversidade da Videira (PORVID) procurava sinais de videiras silvestres, outra estirpe muito anterior à encontrada, a vitis vinifera, cultivada na Europa desde há 10 mil anos e que terá tido presença significativa no passado ao longo do Guadiana.
Também a descoberta de graínhas de uvas em escavações arqueológicas na vila reforça esta tese. A referência está documentada e integra-se no trabalho realizado pelo arqueólogo Cláudio Torres em Mértola nas últimas décadas. Os vestígios de uva foram encontrados numa casa da época almóada (séculos XII-XIII). É esta memória cultural que os promotores do projeto, querem recuperar e compreender numa Herdade integrada no Parque Natural do Guadiana.

Paisagem selvagem e caça turística
Francisco Mata, técnico superior de viticultura da ATEVA – Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo, orientou os trabalhos de plantação da vinha, talhões de quatro castas tintas (Touriga Franca, Touriga Nacional, Alicante Bouchet e Syrah) e três de brancas (Arinto, Verdelho e Antão Vaz). A vinha estende-se sobre a paisagem selvagem e couto de caça turística, de perdizes autóctones a javalis, rodeada de áreas reflorestadas com azinheiras, pinheiros mansos e medronheiros. A Herdade Vale de Évora é considerada um dos últimos redutos de caça selvagem do Alentejo e do país.
O enólogo Diogo Lopes assumiu a adega e toda a condição do terroir: as vinhas estão plantadas numa das regiões mais quentes do país, terra árida e agreste, de solos xistosos. O uso da tecnologi potencia o valor natural, como a rega em momentos cruciais, mas a vinha vive ali no limite, resultando dessa condição “fruta deliciosa e bastante concentrada”, explica.
Envolvido noutros projetos, em parcerie com o enólogo Anselmo Mendes, reconhece que o perfil dos vinhos Discórdia “pode sair fora do padrão tradicional do Alentejo” e, “a proximidade ao rio Guadiana permite manter um nível de acidez médio razoável, conseguindo-se o bom equilíbrio de conjunto” .
Com uma produtividade baixa, cerca de 4,5 toneladas por hectare, a vinha precisa ainda de tempo para ganhar estrutura e mostrar todo o seu potencial para alargar o protefólio. Uma grande reserva tinto de 2013, edição limitada, aguarda já em garrafa depois após dois anos de estágio em barricas de carvalho, estando projectadas a edição de monovarietais de Syrah e Touriga Nacional, para mostrar o comportamento destas castas no local.
Paralelamente, a família Alho quer desenvolver o enoturismo, construindo uma pequena unidade de alojamento rural e restaurante. Vejamos a apresentação dos dois vinhos:
Discórdia branco 2015 – Grande frescura aromática com notas tropicais e citrinas. Final refrescante e intenso. Vindima manual. Seleção de cachos, desengace total seguido de ligeira prensagem. Decantação a frio, seguida de fermentação em cubas de inox com temperatura controlada (15-12 Cº). Batonnage com borras finas durante 3 meses.
Discórdia tinto 2014 - Boa intensidade aromática com notas de fruta silvestre, ligeiro floral e um toque de esteva. Final intenso com taninos gulosos. Vindima manual. Seleção de cachos, desengace total. Fermentação a temperatura controlada em cubas de inox. Estágio em cubas de inox.

 
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